Há alguns ano atrás, aqui na Bahia, muitos odiavam o 'Velho Coronel', só de ouvir falar o seu nome. Era Malvadeza pra lá, Cabeça Branca pra cá, A.C.Morte, etc e tal!
Agora, me perguntem os senhores o que ouvi de tantos outros baianos, que precisavam defender o pão de cada dia com o suor do rosto - fosse nas feiras livres do Sertão, fosse nos chapadões, à procura dos minérios esquecidos pelos bandeirantes, fosse pelos campestres do cerrado no Oste, a caçar o Lobo-Guará ou mesmo pelo imenso mar, desde o Extremo Sul até o desemboque do "Velho Chico" no Nordeste propriamente dito, a lançar as redes, o azol ou o arpão -, e lhes direi o que pensavam, literalmente. "Ruim com ele, pior sem ele!". Foi isso o que mais ouvi em minhas andanças por esta velha Bahia.
Hoje, a despeito do desenvolvimento tecnológico, do avanço da petroquímica, da alta velocidade na transmissão de dados (via Internet), temos que suportar a exposição de tristes relatórios sobre a mortalidade infantil em nosso Estado; ainda vemos famílias sendo expulsas do seu pedacinho de terra, porque o governo prefere atender os interesses da especulação imobiliária e da expansão agrícola mecanizada, que descarta a mão-de-obra humana; vemos o homem do Sertão partir em retirada para o Centro-Sul, deixando mulheres e crianças à espera de um milagre, enquanto penetra nas selvas de pedras, para tentar a vida como ajudante na construção civil, que ainda é a área que mais oferece oportunidade de trabalho neste Gigante Verde e Amarelo.
Quero tratar aqui, especificamente da realidade da Bahia. Um Estado com dimensão territorial absurda! Dentro do território baiano caberiam vários países europeus juntos. Porém, temos uma agricultura fraquíssima, uma produção mineral insignificante, uma postura política subalterna às lideranças nacionais e uma economia voltada para dentro de suas fronteiras.
Não se pode atribuir àquele que se foi - falo do Velho Coronel -, a situação em que a Bahia se encontra, como se fosse ele o grande motivador deste estado de miséria. Absolutamente não! Os problemas que vivenciamos hoje, são frutos da imoralidade política, da falta de respeito dos governantes que aí estão com o bem público, da desonestidade, que campeia nas mais variadas esferas de governo (municipais e estadual).
Fico a pensar num jargão que um radialista que já partiu muito usava: "na Bahia de Migué, cada um faz o que quer!"
E aí, era ruim com ele? Está melhor sem ele?
Perguntar não ofende! Ou ofende?



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