sábado, 27 de julho de 2013

ERA UMA VEZ UMA CRIANÇA...





Quando cheguei neste mundo fui recebido como tantas outras crianças são. Foram tantos os tapinhas nas perninhas gorduchas que recebi; aqueles apertos nas bochechas roseadas; as imitações de vozes infantis que faziam pra chamar minha atenção; as fungadinhas de narizes me fazendo rir de cansar.
Sim, foi assim! E assim foi por certo tempo.
Depois vieram as cobranças - tantas que você não pode imaginar!
Quando fiz o primeiro aniversário, já me cobravam uma postura de gente grande: queriam que ficasse quietinho pra tirar aquelas fotos chatas com os "amiguinhos". Além disso, queriam que eu ficasse dentro daquela horrível fantasia, só porque meus pais sonharam com aquilo!! E meus tios e tias? cada um queria sair numa foto comigo; pra não falar em meu vovô, minha vovó, que não entendiam por que tanto choro e queriam que me portasse "direitinho". Ah, foi chato de mais!
Nunca mais quero fazer um aninho!
Depois todos se foram, eu não entendi nada e minha mãe ainda ficou cansada pra chuchu! Meu pai? Ah, se jogou no sofá e dormiu.
Minha cabeça doía tanto, que quase explodiu! 
Ninguém sabia disso - mas pra eles era a festa que importava. Como se eu quisesse assim.
Gente, criança não precisa de festa, ela só quer atenção dos pais e que a família tenha paz!

Contos de uma criança solitária

terça-feira, 23 de julho de 2013

PARA QUEM SÃO OS LOUROS DAS CONQUISTAS?





Certo pescador à beira do rio fazia planos para o futuro, quando de repente algo fisgou o anzol. Achando ser apenas mais uma tilápia ou um lambari - os peixes comuns na região -, ele nem ligou em travar a batalha com o suposto pequeno peixe. "Daqui a pouco ele estará cansado!", pensou alto o pescador. Para sua surpresa, porém, o visitante além de não cansar ainda rebocou sua vara, levando-a para longe da margem. Com isso ele ficou revoltado e gritou para uns meninos que pescavam na outra margem: "Ei, meninos, vejam se conseguem pegar esta vara e trazê-la aqui!". Obedientes, dois garotos pularam no rio para resgatar a vara do pescador, que acenava freneticamente lá do outro lado. Ao se aproximarem da vara foram surpreendidos com a presença de um enorme peixe, qual jamais tinham visto naquele lugar. A incrível criatura se debatia, querendo livrar-se do pequeno anzol que lhe incomodava; agora embaraçado pela linha, ficando bem juntinho da vara. Os meninos, num gesto de coragem, partiram pra cima do peixe tentando pegá-lo à força, porém a criatura escorregava por entre suas mãos, enquanto se embaraçava nos galhos submersos. Um dos meninos, então, teve a ideia de tirar a camisa e, fazendo uma espécie de saco-de-pesca, prendeu o peixe pela cabeça, enquanto o outro segurava-lhe pelas barbatanas, mesmo que escorregadias. Arrastaram a criatura até a margem e pediram ajuda aos demais para o retirar das águas.
Já fora do rio, o animal foi medido pelos curiosos, que encontram a marca de 90 centímetros, e o peso calculado em torno de 16 Kg. Tratava-se de um Pirarucu adulto.
Vendo a proeza dos meninos, o pescador que se achava na outra margem - aquele dono da vara de pescar - lançou-se no rio e bateu os braços para alcançar a garotada, que ainda se achava atônica com o tamanho do peixe. Logo que saiu das águas e viu de perto à incrível criatura, exigiu dos meninos que lhe fosse entregue o pescado. Porém, em coro, os rapazes lhe responderam negativamente. O homem tentou convencer os adolescentes, com o argumento de que se não fora por sua vara de pescar, jamais teriam encontrado tamanho peixe; ao que retrucaram que não fosse a coragem dos meninos, nunca teriam pescado algo daquele porte.
Um lavrador que passava e vira todo o desenrolar do episódio interveio e disse: - ora, pessoal, ninguém deve querer a glória toda para si; porque, pelo que vi, cada um teve sua parcela de contribuição neste negócio! Por que vocês não vendem o pescado e dividem o dinheiro, ficando cada um com sua parte da glória?
Todos acharam muito boa a opinião do desconhecido. Resolveram, então, procurar a peixaria mais próxima e oferecer o grande Pirarucu. Convidaram, ainda, o lavrador para fazer parte do grupo e receber parte da soma que conseguissem com a venda.
Moral da história: ninguém consegue nada sozinho neste mundo. Portanto os louros das conquistas devem ser compartilhados com aqueles nos cercam e nos impulsionam a continuar lutando, ainda que os obstáculos parecem intransponíveis.